Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

Carta para Afrodite

 

Detalhe do quadro "A primavera" de Sandro Boticelli (1482)

 

quero lembrar-me do que te queria escrever,
do que te queria fazer sentir no afogamento do sol,
quando me lesses com a saudade da permanente ausência errática
…lembrei-me!
 
lembrei-me de te sonhar areia com alma,
alma com tantas pegadas, tais como as sonho
alma com tantos brilhos como aqueles que me espiam
almas…eternamente tuas.
 
queria que o teu olhar me banhasse o sorriso,
mesmo com o cabisbaixo do erro e do fracasso.
queria que no teu derramar de toque
me “horizonteasses” o olhar.
 
queria-te assim, brotando do mar, nascida da espuma
verdadeira. rigidamente verdadeira. não tu, minha dor…
queria-te assim, a contagiares de “afloreares”os jacintos e narcisos
sorrires suavemente. eternamente sorrires suavemente no teu pedestal
 
seres meu fito, procurado com lamparinas
que te reflectem na minha íris;
que afoga o meu tempo nesse mergulho nas órbitas.
faltou-me o sim dos teus lábios, a verdade do pulsar do meu órgão
 
queria-te assim, cinzenta e una,
estátua Afrodite, pincelada pelo tempo
mas sempre crua como a pedra.
o mesmo peso que me afunda na angústia
 
queria-te assim, translúcida na  veemência do berro do prazer
no aconchegar do sabor. em mim, sabor de línguas amargas.
mais que saudade é a vontade de ter saudades do passado
só assim nós nos somos, nós nos queremos…nós somos eu!
 
Para Afrodite com Amor.
sinto-me:
música: Sunshine - banda sonora de "Nothing Hill"

publicado por Lancelote às 01:41
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

Créditos de luz

www.photohunter.blogspot.com

 

Gosto de acreditar, que no momento em que nos repetimos ciclicamente em outras vidas, essa nova vida se componha de prazer displicente e razão gélida, de verdades avassaladoras e mentiras apaziguadoras, de sabores perfumados e fel amargurado. No entanto, existem tarefas divinas, mesmo que ínfimas, que o cosmos nos impregna para que cedamos a outros. Esses últimos, recebem-nas como créditos de luz. Todavia, como créditos para crescermos, não como gente, não como homens e mulheres mas como alma(s). Basta-nos colhe-los como frutos nos ramos do vento, como flores no caule de palavras, como pureza da nossa humanidade para lá da nossa brutalidade inumana própria das nossas contradições, porém, caminho necessário e árduo para o que almejamos: o (im)possível da perfeição colectiva das minhas vidas, os heterodoxos da minha alma.

Hoje (bendita noite de desrumo em que buscava o destino de casa), sem pensar nos versos e reversos da vida da(s) minha(s) alma(s), nas caras e coroas - pais do equilíbrio -, encontrei a alma que tinha impregnada um dos meus créditos de luz. Não sei se sou felizardo mais que muitos, sei é que às duas da manhã, mais que muitos, reflecti para o opaco de mim um outro brilho com olhos de uma luz. E sem a arrogância que em mim é pecado capital, sei que hoje faço parte das conquistas de um "coleccionador de olhos".

Ao Sr. Augusto Silvestre

(por me fazer saber o pouco que sabia e o tanto que des-sabia)

Ruy de Nilo

03h19m

(Alfornelos)

sinto-me:
música: não sei porquê mas...Richard Marx - Wizard

publicado por Lancelote às 03:45
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Terça-feira, 23 de Maio de 2006

Reflexos

 Foto: SirnePhotography

 

as vezes sinto repetir-me e repartir-me
por eternas vezes sem conta
as vezes sinto as músicas como se sempre as tivesse conhecido
as vezes sinto-me cansado de há tanto tempo existir-me
(mas parece que foi ontem que me dei conta de mim)

as vezes caminho caminhos, quase já sem pernas que me andem
as vezes, sou tantas vezes outra vez eu, que o meu eu virou nós
as vezes vejo-me numa bola de cristal,
visualizando a minha repetição de amanhã
(mas sempre acordo e ainda é hoje)

as vezes envergonho-me da minha nudez perante os meus olhares
tantas vezes sou meu par na dança de hoje,
de manhã amanhã, na do amanhã do hoje
tantos os reflexos do “mim” que desconheço,
tantos os “eus” em que não me vejo eu.

as vezes são tantas as dores que não conheço.
tantos os amores que doem. Tanto babel que me desentendo.
mas, mesmo na negação de me saber tantos
no fundo...no fundo dos meus “eus”,
eu bem sei...sei que somos eu.


Ruy de Nilo
17/02/2006
02h26
Alfornelos

sinto-me:

publicado por Lancelote às 01:41
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