Foto: SirnePhotography
as vezes sinto repetir-me e repartir-me
por eternas vezes sem conta
as vezes sinto as músicas como se sempre as tivesse conhecido
as vezes sinto-me cansado de há tanto tempo existir-me
(mas parece que foi ontem que me dei conta de mim)
as vezes caminho caminhos, quase já sem pernas que me andem
as vezes, sou tantas vezes outra vez eu, que o meu eu virou nós
as vezes vejo-me numa bola de cristal,
visualizando a minha repetição de amanhã
(mas sempre acordo e ainda é hoje)
as vezes envergonho-me da minha nudez perante os meus olhares
tantas vezes sou meu par na dança de hoje,
de manhã amanhã, na do amanhã do hoje
tantos os reflexos do “mim” que desconheço,
tantos os “eus” em que não me vejo eu.
as vezes são tantas as dores que não conheço.
tantos os amores que doem. Tanto babel que me desentendo.
mas, mesmo na negação de me saber tantos
no fundo...no fundo dos meus “eus”,
eu bem sei...sei que somos eu.
Ruy de Nilo
17/02/2006
02h26
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