Detalhe do quadro "A primavera" de Sandro Boticelli (1482)
quero lembrar-me do que te queria escrever,
do que te queria fazer sentir no afogamento do sol,
quando me lesses com a saudade da permanente ausência errática
…lembrei-me!
lembrei-me de te sonhar areia com alma,
alma com tantas pegadas, tais como as sonho
alma com tantos brilhos como aqueles que me espiam
almas…eternamente tuas.
queria que o teu olhar me banhasse o sorriso,
mesmo com o cabisbaixo do erro e do fracasso.
queria que no teu derramar de toque
me “horizonteasses” o olhar.
queria-te assim, brotando do mar, nascida da espuma
verdadeira. rigidamente verdadeira. não tu, minha dor…
queria-te assim, a contagiares de “afloreares”os jacintos e narcisos
sorrires suavemente. eternamente sorrires suavemente no teu pedestal
seres meu fito, procurado com lamparinas
que te reflectem na minha íris;
que afoga o meu tempo nesse mergulho nas órbitas.
faltou-me o sim dos teus lábios, a verdade do pulsar do meu órgão
queria-te assim, cinzenta e una,
estátua Afrodite, pincelada pelo tempo
mas sempre crua como a pedra.
o mesmo peso que me afunda na angústia
queria-te assim, translúcida na veemência do berro do prazer
no aconchegar do sabor. em mim, sabor de línguas amargas.
mais que saudade é a vontade de ter saudades do passado
só assim nós nos somos, nós nos queremos…nós somos eu!
Para Afrodite com Amor.